terça-feira, 26 de julho de 2011

Pausa em meio ao caos que anda o mundo...



Não sei se sou eu que estou prestando mais atenção no relógio,não sei se estou sentindo mais fortemente a ação do tempo,mas é fato que o tempo tem andado muito depressa...
Ainda ontem eu estava cheia de dúvidas sobre o que cursar ao sair do Instituto de Educação e decidido ser professora,depois de ter escutado da minha família que morreria de fome se quisesse mesmo ser Bióloga.
Nem uma coisa,nem outra.Não sou professora e tampouco bióloga.
O tempo passou e a menina que queria dar aulas,hoje tem três filhas,já casou duas vezes,separou-se outras tantas e está beirando os quarenta anos...e parece que foi ontem.
Não tenho medo de envelhecer,tenho medo de morrer.Morrer e deixar minhas filhas nesse mundo cada vez mais louco,imediatista,tecnológico,insensato!Mãe tem mania de achar que os filhos só se "viram bem",se ela estiver por perto,dando os conselhos que recebeu da avó,da bisavó,da tataravó...mas isso tem um fundo de verdade.
Eu sou mãezona,sabe?Não sou a mãe dos livros de antigamente,que apareciam ilustradas por uma mulher de avental servindo comida aos filhos sorridentes sentados á mesa.Sou a mãe "ligada no 220 watts".Porque?Porque eu não paro.Trabalho diretamente com o público,o que por si só significa dizer que minha vida não tem nada de rotineira.Não tenho assistente,ajudante,cozinheira,passadeira,arrumadeira,nada.
Sou todas elas e sou a profissional que trabalha fora.Tenho um namorado,então sou também a mulher.Sou a mãe das meninas mais lindas que eu já vi.Sou daquelas que vai á reunião escolar,que cria perfil em todas as redes sociais,só pra dizer:-" Oi filhas,adicionem á mamãe!!!!",tenho um ciúme danado delas,quero saber de tudo o que acontece,quero me sentir participativa.
Não,eu não disse controladora,eu disse participativa.Parte da vida delas.
Eu sou fruto de um lar desfeito,assim como as minhas filhas.Acho que isso é uma herança dos dias atuais,as pessoas estão cada vez mais imediatistas e intolerantes,e com isso os relacionamentos vão ficando pelo caminho,quem não se adequa ás nossas exigências vai se esvaindo aos poucos da nossa vida,e seguimos em busca de algo que é impossível,o companheiro ou companheira perfeitos.Só a maturidade e as várias desilusões nos fazem entender que essa procura é vã.Eu sei que o amor existe,meus avós semana passada fizeram 65 anos de casados,bodas de FERRO!!!!Somente sendo de ferro para construir uma história dessas,é amor verdadeiro mesmo,feito este que não foi repetido por nenhum dos filhos,nenhum dos netos até hoje.Infelizmente.Minha visão de amor verdadeiro são meus avós.Era o que eu queria para mim.Mas eles são de 1920 e poucos,e eu nasci beirando os anos 80...Outros tempos.
O lar desfeito me deixou marcas.Insegurança,falta de credibilidade na minha capacidade de superação,saudade,enfim...difícil descrever tudo e ficaria chato demais.Isso é assunto para outro post.
Por isso sou participativa.Não aceito desculpas.Não compenso minhas filhas pela fato de trabalhar fora e não poder ficar com elas o dia todo,comprando o mundo para dar á elas.Tento transformar os minutos que passamos juntas em uma troca de experiências rica em amizade,respeito e claro,muito amor.
Não fumo,não bebo,nunca me droguei.Meu vício é café e a tal da coca-cola,o mal do século!Sei que muito disso foi por eu ter sido criada,embora fruto de um lar desfeito,por pessoas que me deram noção do que era bom e o que era ruim.Não tive meu pai por perto,minha mãe por várias vezes não foi presente,mas eu tive avós,principalmente avó,para me dizer o que era certo.Claro que o certo dela era adequado á 1920,mas com as adaptações necessárias ao nosso tempo,eu tive a base para distinguir o que me faria mal.
É por isso sou participativa.Faço questão de ser.Em algumas situações isso é primordial para decidir qual caminho vamos seguir,quando nos falta o chão...

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